Paciente morre após alta na UPA de Valinhos e família aponta falhas graves no atendimento

Um homem morreu na manhã da última segunda-feira, dia 19 de janeiro, depois de complicações decorrentes da queda de um triciclo elétrico. No acidente, que ocorreu no dia 13 de janeiro, ele teria batido a cabeça na guia da calçada. O homem recebeu atendimento na UPA, mas, segundo a família, foi liberado sem a realização de exames mais detalhados de imagem e não passou por um período de observação hospitalar.

De acordo com os familiares, o homem caiu de um triciclo elétrico no dia 13, por volta das 13h, em frente a uma agência bancária da cidade, batendo a cabeça na guia da calçada. Mesmo lúcido, consciente e conversando normalmente, ele foi levado por uma ambulância municipal até a UPA de Valinhos para avaliação médica. 

Conforme os familiares, o atendimento inicial foi superficial: não foram solicitados exames de imagem de urgência, como tomografia computadorizada, nem foi realizada observação prolongada, apesar do risco evidente de traumatismo craniano. Após uma avaliação rápida, o paciente foi liberado para retornar para casa. 

Na madrugada do dia seguinte, por volta das 5h, o quadro clínico se agravou de forma brusca — ele perdeu a consciência e entrou em estado grave. Somente nesse momento, segundo a família, a equipe médica teria identificado a gravidade do comprometimento neurológico e encaminhado o paciente a um hospital com maior capacidade de atendimento, onde ele foi internado, intubado e tratado em unidade de terapia intensiva. 

Apesar dos esforços médicos, o dano neurológico se agravou e o paciente não resistiu, morrendo na manhã de 19 de janeiro. Os familiares afirmam conviver com questionamentos sem resposta sobre o atendimento inicial recebido: “Se exames essenciais tivessem sido realizados e a observação tivesse sido mais rigorosa, o desfecho poderia ter sido diferente?”, questionou um parente, em referência ao protocolo recomendado para casos de traumatismo craniano. 

Além da dor pela perda, a família afirma que o objetivo não é apenas busca por reparação, mas também conscientizar sobre a importância de protocolos mais rígidos para avaliação de casos de risco evidente, como quedas com impacto na cabeça. 

O caso trouxe novamente à tona críticas à capacidade de atendimento da UPA de Valinhos, considerada por moradores insuficiente para as demandas da população, especialmente quando se trata de urgências que exigem exames e observação prolongada — recursos muitas vezes disponíveis apenas em hospitais de maior complexidade. 

A família analisa quais medidas serão adotadas para que o caso seja devidamente apurado e para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer com outros moradores da cidade. 

O caso reacende o debate sobre a falta de estrutura e capacidade de atendimento das unidades de saúde municipais, que, moradores e parentes afirmam, não conseguem suprir as necessidades da população de forma adequada.