CPI ouve médico investigado por suspeita de ‘funcionário fantasma’ na UPA de Valinhos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para apurar a suspeita de atuação irregular de um médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) realizou, na manhã desta terça-feira (10), uma das oitivas mais aguardadas da investigação. No centro do caso, o médico Flávio José Ferreira Costa compareceu ao Legislativo acompanhado de sua defesa e respondeu a questionamentos dos vereadores por pouco mais de uma hora.

A oitiva foi conduzida pelo presidente da comissão, o vereador Vagner Alves, e contou com a participação do relator Rafa Marques, além dos parlamentares Rodrigo Fagnani Popó, Kiko Belloni, Marcelo Yoshida, Jairo Passos e Gabriel Bueno.

Durante o depoimento, os parlamentares concentraram as perguntas nas escalas de trabalho do profissional e na efetiva prestação de serviços na unidade de saúde. A principal linha de apuração da CPI envolve possíveis inconsistências entre registros de presença e atendimentos realizados, o que pode caracterizar o chamado “funcionário fantasma” — quando há remuneração sem a correspondente execução do serviço público.

Instalada em meio a denúncias que ganharam repercussão local, a CPI busca esclarecer se houve falhas de controle por parte da administração municipal e eventual prejuízo aos cofres públicos. Casos semelhantes em outras cidades brasileiras já resultaram em ações por improbidade administrativa, devolução de valores e responsabilização de agentes públicos e privados.

Com a conclusão da oitiva, o colegiado entra agora em uma etapa considerada crucial. Segundo a comissão, o conteúdo do depoimento será cruzado com documentos já reunidos, como folhas de ponto, escalas médicas e registros de atendimento da UPA. A análise deve verificar possíveis divergências e apontar responsabilidades.

A depender dos resultados, a CPI poderá convocar novos depoentes ou avançar diretamente para a elaboração do relatório final. O documento, caso identifique indícios de irregularidades, poderá ser encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, responsável por eventual abertura de ações judiciais.

A expectativa é que os próximos desdobramentos definam não apenas o destino do médico investigado, mas também eventuais implicações para gestores públicos e para o sistema de controle da rede municipal de saúde.