
Um caso envolvendo o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Valinhos provocou forte repercussão nas redes sociais e abriu uma série de relatos de moradores que afirmam ter vivido situações semelhantes na rede pública de saúde do município. O assunto foi tema de postagem nas páginas da VV8 TV
A discussão começou após a divulgação da história de um homem que, segundo a família, procurou a unidade com fortes dores no peito, realizou um eletrocardiograma e acabou liberado após avaliação médica que indicava ausência de alterações no exame.
Segundo o relato da família, o paciente recebeu classificação de risco com pulseira verde — utilizada para casos considerados de menor urgência — e aguardou cerca de duas horas para ser atendido. Após a avaliação, a médica teria informado que o exame não indicava nenhum problema e ele foi liberado.
Inconformados, os familiares decidiram buscar atendimento no Hospital Vera Cruz, em Campinas. Na unidade particular, os médicos diagnosticaram que o paciente estava, na verdade, sofrendo um infarto e apresentava três artérias obstruídas, descritas como calcificadas.
Durante o procedimento para desobstrução, os médicos conseguiram liberar cerca de 99% de uma das artérias. No entanto, um coágulo acabou se deslocando para o cérebro, provocando um acidente vascular cerebral (AVC).
O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e passou a reunir relatos de outros moradores que dizem ter enfrentado situações semelhantes na UPA de Valinhos.
“Minha mãe sofreu dois meses nesse UPA de Valinhos. Ela precisava ser internada e quando foi para a Santa Casa de Vinhedo já foi direto para a UTI, mas já era tarde demais”, relatou uma moradora no Instagram.
Outro relato que gerou grande repercussão foi o de @irenepetreca, que criticou a condução do atendimento e cobrou maior atenção da administração municipal.
“Em vez do prefeito ficar preocupado em trocar plantinhas do portal, como foi o caso de ontem, e postar vídeo batendo bola, deveria ver os atendimentos. Um exame de sangue detecta infarto. Essa mãe relatando um descaso tão grande. Onde se viu não investigar?”, escreveu.
Casos semelhantes também começaram a surgir nos comentários da publicação. Outro usuário contou a experiência vivida por seu padrasto após atendimento na unidade.
“Meu padrasto foi para a UPA com fortes dores no peito, fizeram exames e disseram que não era nada. Liberaram ele para casa. No dia seguinte minha mãe levou para um hospital em Campinas e os médicos disseram que ele tinha tido um AVC. Ficou 13 dias internado e hoje está de cama, com sequelas”, afirmou.
Outro comentário que chamou a atenção relata um caso ainda mais grave. “Eu presenciei uma situação em que o eletrocardiograma de uma pessoa cardiopata foi considerado normal. No dia seguinte a pessoa morreu de infarto. No dia do atendimento ainda deram Haldol dizendo que a pessoa estava em surto”, escreveu.
A insatisfação com o atendimento também aparece em críticas à postura de profissionais de saúde. Outra moradora afirmou que muitos pacientes deixam a unidade inseguros após as consultas. “Os médicos nem olham na sua cara. Você fala e ele já vai prescrevendo remédio. Dá até medo de tomar”, escreveu.



