A campanha salarial dos servidores públicos de Valinhos entrou em novo impasse nesta semana após o Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Municipais de Valinhos (STMAVLM) contestar publicamente as informações divulgadas pela Prefeitura sobre o reajuste salarial concedido à categoria.
Segundo a entidade sindical, além de não haver ganho real nos vencimentos, a condução do processo teria sido marcada pela ausência de diálogo efetivo do prefeito Franklin Duarte de Lima (PL) com os representantes dos servidores durante as negociações.
Na quarta-feira, a Prefeitura protocolou na Câmara Municipal um projeto de lei que consolida o reajuste salarial. A proposta prevê uma nova Revisão Geral Anual de 2,38%, sendo 1,38% de reposição do INPC referente ao período de maio a dezembro de 2025 e 1% de aumento real. Esse percentual se soma aos 6,32% já concedidos em maio de 2025, compostos por 5,32% de inflação e 1% de ganho real.
Com isso, a administração municipal destaca uma recomposição acumulada de 8,7% em menos de 12 meses, além de avanços em benefícios como auxílios e vale-refeição.
O sindicato, no entanto, rebate a narrativa oficial. O presidente do sindicato, Valteni Alves Santos, afirma que o que está sendo apresentado como aumento salarial corresponde, na prática, à reposição inflacionária do período, com percentuais já debatidos em assembleias anteriores, somados a correções pendentes, sem representar ganho efetivo de poder de compra.
A categoria havia protocolado inicialmente uma pauta com reajuste de até 35%, com o objetivo de recompor perdas salariais históricas acumuladas ao longo dos últimos anos. Para o sindicato, a proposta apresentada pela Prefeitura é considerada insuficiente e não atende à expectativa de valorização dos servidores.
Diante do impasse, o sindicato adotou medidas formais. Foi protocolada a ata da 2ª Assembleia Geral, estabelecendo prazo de uma semana para que a Prefeitura apresente resposta completa a todos os itens da pauta de reivindicações. Caso não haja avanço, uma nova assembleia já está convocada para avaliar o andamento das negociações, discutir a decretação de estado de greve e deliberar sobre a possibilidade de greve geral.
Valteni Alves Santos reforça que os efeitos do reajuste serão percebidos diretamente nos contracheques. Segundo ele, sem reposição acima da inflação, os salários continuarão defasados em relação ao custo de vida. A mobilização da categoria segue intensa, com articulações junto à Federação dos Funcionários Públicos Municipais do Estado de São Paulo (FUPESP), que poderá prestar apoio em caso de paralisação.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Valinhos não havia se manifestado oficialmente sobre as críticas apresentadas pelo sindicato. A categoria aguarda posicionamento dentro do prazo estipulado, enquanto a possibilidade de paralisação ganha força diante do descontentamento dos servidores.




