
A crise envolvendo a Ypê e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve gerar um impacto milionário na operação da empresa em Amparo, no interior paulista. A fabricante informou que irá investir cerca de R$ 130 milhões na adequação de sua fábrica aos requisitos exigidos pelo órgão regulador.
O plano de reestruturação foi elaborado após a Anvisa apontar falhas consideradas graves em etapas do processo produtivo da unidade industrial. Entre os problemas identificados estão deficiências nos sistemas de garantia de qualidade, equipamentos com sinais de corrosão, falhas no controle microbiológico e armazenamento inadequado de resíduos.
A situação levou a agência a determinar a suspensão da fabricação, venda e uso de diversos produtos da marca com lotes terminados em número 1, incluindo detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. A Anvisa também citou risco de contaminação microbiológica em parte dos produtos analisados.
O complexo industrial de Amparo é considerado o maior da companhia e possui oito unidades fabris. Atualmente, duas linhas seguem paralisadas: uma destinada à produção de detergentes e outra voltada a lava-roupas líquidos e desinfetantes. Apesar da interrupção parcial das atividades, a empresa informou que não houve demissões e que cerca de 400 funcionários continuam trabalhando normalmente nas plantas afetadas.
Segundo a Ypê, mais da metade das ações previstas no chamado “Plano de Qualidade” já foi executada. O projeto inclui modernização de sistemas de tratamento de água, reforço nos protocolos de sanitização, criação de novos controles laboratoriais e adequações estruturais na fábrica. A previsão é de que o processo completo de reestruturação seja concluído até 2027.
O caso ganhou repercussão nacional após a Anvisa manter a suspensão de parte dos produtos mesmo após recurso apresentado pela empresa. A agência afirmou que as medidas seguem critérios técnicos e sanitários relacionados às boas práticas de fabricação.
Enquanto isso, a Ypê orientou consumidores que possuem produtos afetados a não utilizarem os itens até novas orientações da Anvisa. A empresa também informou que segue realizando troca e reembolso dos produtos por meio de seus canais oficiais de atendimento.
“Aos consumidores que possuam os produtos objeto da medida, a orientação é a de que os itens sejam guardados adequadamente e de que não sejam utilizados nem descartados até novas orientações da Anvisa”, diz nota da empresa.



