O diabo veste Prada: e quem vestirá a camisa 11?

Vinte anos depois de seu lançamento em 2006, retorna as telas do cinema o filme “O diabo veste Prada – Parte II”, com as atrizes Meryl Streep e Anne Hathaway no elenco. Seria a mais nova franquia de Hollywood?

Recentemente o diretor Steven Spielberg, reclamou publicamente da decadência do poder criativo do cinema de Hollywood, que os blockbusters é o retrato da perda da capacidade de contação de histórias do cinema.

Conta-nos o padre e filósofo checo Tomáš Halík, que Martinho Lutero teria sonhado com Jesus; que ao se deparar com um Jesus sem as feridas da crucificação, Lutero perguntou: “Mostre suas chagas?”. Em resposta, o diabo foi embora. #VadeRetroSatanás.

O embuste da teologia da prosperidade que desembarcou no Brasil consiste em vender um Jesus sem as chagas e as marcas da crucificação; que a marca do discípulo de Jesus seria a vitória, nome derivado do grego que originou a marca de tênis estadunidense Nike (= força, triunfo).

Um falecido professor amigo meu dizia que “o capitalismo despertava o que há de melhor nos produtos e o pior nas pessoas.” Eu, porém, discordava: que o capitalismo produz o que é desnecessário, para encher os bolsos/com-dividendos dos investidores, enquanto impõe danos e devastação ambiental nos países da periferia capitalista. Que o capitalismo é versão moderna do espírito da Companhia de Jesus (jesuítas) e dos protestantes que desembarcaram nessas plagas: a busca incessante do lucro mediante a espoliação.

A tintura do progresso eufemiza o cenário de Armagedon criado para alimentar a máquina de guerra e de destruição que alimenta a ganância imperialista. A devastação do solo para extração de minerais e terras rara para fabricação de produtos de alta tecnologia, dentre elas, armas de destruição em massa guiadas por Inteligência Artificial a ser usadas nas guerras imperialistas: genocídio na Palestina e na Faixa de Gaza; destruição do Líbano; e no ataque de 28 de fevereiro p.p. à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã, ceifando 175 mulheres, a maioria, crianças.

Voltemos à Lutero: quais as marcas que você e eu carregamos muitas das vezes em silêncio, nesse vale de lágrimas e de desespero que é a vida? As feridas de Jesus, foram resultado da humilhação e crucificação ajambrada pelo consórcio de fariseus, saduceus e dos romanos que governavam a Palestina nos tempos de Jesus. Já a marca do “Diabo Veste Prada”, começa pela ode à grife de alto luxo “Prada” – passando pelo minimalismo dos relógios da Cartier. Não sei vocês, mas para mim, entre Prada ou Cartier, me interesso mais em saber qual o talento do camisa 11 da seleção brasileira que o Carlo Ancelotti (técnico) irá convocar para a Copa do Mundo.

Senão, vejamos: Na Copa de 1994, Romário era o camisa 11. Na Copa de 2002, a 11 era de Ronaldinho Gaúcho – o mago; na Copa de 1958, a camisa era do Garrincha; na Copa de 1962, Zagallo; e na Copa de 1970, era do craque do Corinthians, Roberto Rivelino.

Lucas Gabriel Pereira, advogado, especialista em “Direito Municipal – ética e efetivação em direitos fundamentais” pela FDRP (USP/Ribeirão); presidente do Conppac – Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (2022/2024, 2024/2026); presidente da Comissão das Pessoas com Deficiência da 12º Subseção da OAB/SP (2019/2021).