Sem baixar a guarda para AIDS

Meu caro leitor, neste mês comemoramos o dezembro Vermelho! Não, neste caso não se trata do Papai Noel, mas sim de uma campanha nacional de conscientização sobre HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis, com foco em prevenir, diagnosticar, tratar e acolher, visando fortalecer o cuidado e combater o preconceito.

Diferentemente dos anos 90 onde a pauta HIV/AIDS aparecia semanalmente nas matérias jornalísticas e publicações cientificas, hoje aparenta ultrapassada, aquela tela ou link que pulamos porque já sabemos tudo. O consumo de saúde hoje está muito direcionado, principalmente nas redes sociais, sobre o que devemos ou não comer, quais exercícios são mais adequados para tornear os corpos atléticos,
os suplementos que mudam sua vida, quantas horas devemos dormir ou qual “caneta” leva ao milagre do emagrecimento rápido.

Esta tendencia de consumo guarda correlação com uma nova forma de enxergar saúde, e uma necessidade sentida pela sociedade de discutir formas de enfrentamento das doenças ditas crônicas, como a diabetes, hipertensão, obesidade, agravos cardíacos e câncer entre outros, que realmente cresceram e assumiram o ranking das doenças mais prevalentes, evento simultâneo ao decréscimo das infecciosas a partir da década de 70 com o avanço do programa de imunização, das melhores condições sanitárias e da incorporação de novas tecnologias médicas como os antibióticos.

Entretanto, um sistema de saúde não pode fazer escolhas, deve estar preparado para responder de forma equitativa às necessidades de sua população, sejam ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e/ou reabilitação, sejam doenças transmissíveis ou não, sejam agudas ou crônicas. Isto se torna mais desafiador em um país continental, de diferentes biomas, multirracial, com desigualdade brutal nas distribuições dos profissionais e de acesso a serviços de saúde.

Assim como temos várias formas de contágio pelo HIV, valendo dizer em todas as faixas etárias, temos muitas formas de prevenção, o que torna tão relevante campanhas como o dezembro vermelho. Manter viva a reflexão e pautar este tema nos diferentes fóruns pode fazer a diferença na vida das pessoas. Não podemos baixar a guarda!! Segundo o Ministério da Saúde em 2024 foram registradas 39.216 detecções de infecção pelo HIV no país (18,4 por 100 mil habitantes), e 36.955 casos de AIDS (17,4 por 100 mil habitantes). Pouco mais de 9 mil brasileiros morreram em função da doença em 2024, valores ainda altos para um agravo previnivel.

São inegáveis os avanços na prevenção, diagnóstico, distribuição de insumos e tratamento que trazem reconhecimento mundial ao programa de cuidado HIV/AIDS. do Brasil, e devemos aproveitar esta campanha para reiterar nosso compromisso de vigilância continua e comunicação efetiva com a comunidade. Procure uma unidade de saúde ou Centro de Referência de sua cidade para maiores informações e debata sempre com sua família e amigos.

Dr. Paulo Afonso
Médico, Consultor e Gestor de saúde
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