Furto de vírus em laboratório da Unicamp expõe falha de segurança e mobiliza investigação federal

Um furto de material biológico em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas, em Campinas, colocou em alerta autoridades de saúde e segurança e revelou a retirada indevida de amostras de vírus, entre elas o H1N1, causador da gripe. O caso veio a público pela primeira vez e está sob investigação da Polícia Federal.

As amostras foram subtraídas do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, localizado no Instituto de Biologia da universidade, uma estrutura de nível NB-3, considerada de alto grau de biossegurança. Entre os materiais furtados estavam variantes dos vírus H1N1 e H3N2, ambos associados à gripe tipo A e com potencial de infecção em humanos e outros animais. 

A própria universidade comunicou o desaparecimento às autoridades, o que deu origem ao inquérito conduzido pela Polícia Federal. Durante as investigações, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, e o material foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para análise técnica. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também participou da operação.

A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante suspeita de envolvimento no caso, mas foi posteriormente liberada por decisão judicial. A investigação também apura a possível participação de outras pessoas e as circunstâncias em que o material foi retirado e transportado, já que ainda não há esclarecimento sobre eventual risco de exposição.

Em nota oficial, a Unicamp afirmou que colabora integralmente com as autoridades e que não divulgará detalhes para não comprometer o andamento das apurações. A instituição também reforçou o compromisso com a segurança das pesquisas e com a responsabilização dos envolvidos.

O caso levanta questionamentos sobre protocolos de controle e segurança em laboratórios que manipulam agentes biológicos sensíveis e ocorre em meio à crescente atenção global sobre riscos envolvendo patógenos e pesquisas em virologia.

CRONOLOGIA

Cronologia do caso

  • 13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp
  • 23 de março: laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp são interditados pela Polícia Federal para cumprimento de mandados de busca
  • 23 de março: PF encontra parte do material desaparecido nos laboratórios interditados e a pesquisadora é presa em flagrante
  • 24 de março: PF localiza o restante das amostras em outro laboratório do Instituto de Biologia. A suspeita não tinha autorização de acesso a nenhum dos locais onde as amostras estavam, mas conseguia entrar com a ajuda e consentimentos de outros pesquisadores.

24 de março: Justiça concede liberdade a Soledad e decisão menciona que amostras eram de vírus