A Câmara Municipal de Hortolândia (SP) aprovou na noite de terça-feira (18) o afastamento, por tempo indeterminado e sem remuneração, do vice-prefeito Cafu Cesar (PSB). A decisão, tomada por 17 votos favoráveis e uma ausência, ocorre uma semana após a prisão dele durante uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes em licitações públicas.
Cafu também já havia sido exonerado do cargo de secretário de Governo, assim como os titulares das pastas de Educação e Habitação. Segundo as investigações, o vice-prefeito estaria envolvido em um esquema que direcionava licitações e facilitava pagamentos à empresa Life Tecnologia Educacional em troca de vantagens indevidas. A PF e o Ministério Público Federal apontam indícios de que ele teria recebido ao menos R$ 2,4 milhões.
O MPF detalha que Cafu realizou gastos incompatíveis com sua renda, como compras de artigos de luxo que somam R$ 2,9 milhões, além da aquisição de um imóvel pago em espécie por R$ 1,2 milhão. Ele também teria acesso a uma BMW 320i fornecida pela empresa investigada.
A defesa de Cafu, representada pelo advogado Ralph Tórtima Filho, afirmou à época da prisão que trabalha prioritariamente para obter a liberdade do vice-prefeito, alegando que a detenção é desnecessária. Sobre o mérito das acusações, o advogado disse que os pontos considerados equivocados serão esclarecidos quando Cafu prestar depoimento, já que ele ainda não foi ouvido pela Polícia Federal.

Paralelamente, a Câmara instaurou na segunda-feira (17) uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar possíveis irregularidades nas contratações envolvendo a empresa Life. A comissão terá 90 dias para concluir os trabalhos, prorrogáveis se necessário, e será composta por quatro vereadores indicados pelas bancadas partidárias. Em nota, o Legislativo afirmou que a medida tem caráter técnico e busca garantir transparência e esclarecimentos à população.



