[ATUALIZADO]Boletim de ocorrência contra presidente da Câmara de Elias Fausto é alvo de investigação da Polícia Civil*

Documento registrado de forma digital relata suposta violência doméstica, mas vereador e esposa negam agressões; SSP confirma existência do BO e apuração do caso

Um boletim de ocorrência registrado de forma digital na Delegacia da Mulher Online e atribuído à esposa do presidente da Câmara Municipal de Elias Fausto, o vereador João Carlos Fernando Penariol (Republicanos), passou a ser investigado pela Polícia Civil após relatos de suposta agressão doméstica, perseguição e pedido de medida protetiva.
O nome da mulher foi preservado pela reportagem em razão da natureza do caso.
O registro foi formalizado no último dia 2 de maio e aponta que a suposta ocorrência teria acontecido em 30 de abril, por volta das 22h10. No entanto, tanto o vereador quanto sua esposa negam categoricamente que qualquer agressão tenha ocorrido.
A reportagem conversou pessoalmente com Penariol na noite desta terça-feira (12), antes da sessão da Câmara Municipal. O vereador recebeu a equipe de forma cordial, demonstrou tranquilidade durante toda a conversa e afirmou ser vítima de perseguição política e de uma sequência de fake news desde que passou a adotar uma postura de oposição ao prefeito do município no ano passado.


Segundo Penariol, o boletim pode ter sido registrado por terceiros utilizando indevidamente os dados de sua esposa. “Essa agressão nunca aconteceu”, afirmou o parlamentar.

A mulher do vereador também conversou com a reportagem e declarou de forma categórica que não sofreu qualquer agressão do marido.

Apesar das negativas, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou oficialmente a existência do boletim de ocorrência e informou que o caso está sendo apurado pela Polícia Civil.

Em nota enviada à reportagem, a SSP informou que “o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado na Delegacia de Polícia de Elias Fausto, que realiza diligências visando o esclarecimento dos fatos”. A pasta acrescentou ainda que detalhes serão preservados para não comprometer o andamento das investigações.

A própria linha investigativa, contudo, poderá esclarecer não apenas eventual ocorrência de violência doméstica, mas também a possibilidade de utilização indevida da identidade da mulher no registro digital do boletim, hipótese levantada pela família do vereador.

O documento atribuído à mulher relata supostas agressões físicas recorrentes e afirma que ela teria solicitado proteção com base na Lei Maria da Penha. O texto também informa que os depoimentos teriam sido gravados em áudio e vídeo.

Trechos do boletim apontam que “a declarante relata que seu companheiro é extremamente agressivo e que já sofreu diversas agressões físicas ao longo do relacionamento” e que teria acordado “com diversos hematomas e lesões pelo corpo” após uma suposta agressão.

O documento também menciona alegações de perseguição e tentativas de afastamento da residência. Até o momento, porém, essas informações não foram confirmadas oficialmente pela investigação policial.

A vereadora Ketlen Evelin Silva Vieira afirmou à reportagem que o boletim foi encaminhado a todos os gabinetes da Câmara Municipal na manhã desta terça-feira. Segundo ela, independentemente das versões apresentadas até o momento, o caso precisa ser apurado com rigor pelas autoridades competentes.

“Defendo uma investigação séria e completa para esclarecer exatamente o que aconteceu”, afirmou a parlamentar, sem antecipar julgamento sobre eventual responsabilidade do presidente da Câmara.

Penariol afirmou ainda que sua família vem sofrendo episódios recentes de intimidação. Segundo o vereador, o carro utilizado pela família foi atacado recentemente com o lançamento de um produto químico que teria danificado toda a pintura do veículo.

O parlamentar também ressaltou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e disse confiar que a investigação demonstrará que não houve agressão.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Polícia de Elias Fausto. Até o momento, não houve conclusão oficial sobre a autenticidade do boletim, sobre a veracidade dos fatos narrados no documento ou sobre eventual responsabilidade criminal relacionada ao registro.