O antigo Clube Rigesa, em Valinhos, hoje denominado pela Prefeitura como “Clube do Povo”, apresenta sinais visíveis de abandono em grande parte de sua estrutura interna. A reportagem da Tribuna esteve no local durante a semana e encontrou a piscina com água verde e aparentemente sem manutenção, banheiros quebrados, vasos sanitários e pias em condições precárias, infiltrações, vazamentos, acúmulo de água parada e problemas estruturais em áreas como vestiários e instalações hidráulicas e elétricas.
As imagens revelam um cenário de deterioração que contrasta diretamente com a utilização frequente do campo de futebol do local, uma das áreas aparentemente preservadas e que vem recebendo jogos, campeonatos e eventos esportivos promovidos pelo município nos últimos meses.
O ginásio de esportes também está em condições adequadas. No restante do espaço, o cenário é de abandono e descaso.
A situação ganha ainda mais repercussão porque o imóvel esteve no centro de uma das negociações mais polêmicas recentes envolvendo patrimônio público na cidade. O terreno, que anteriormente pertencia a um empresário, foi incorporado ao município em uma operação de permuta na qual a Prefeitura entregou oito áreas públicas em troca do espaço.
O clube passou para a gestão da Prefeitura em março do ano passado. Ele pertencia ao empresário Tadeu Felício Bragante. As partes acordaram que o clube valia R$ 38,2 milhões, enquanto os terrenos trocados, juntos, eram avaliados em R$ 37,5 milhões.
Porém, o negócio está sob investigação do Ministério Público, que recebeu denúncia e apura os valores citados na negociação. A transação gerou forte debate político e questionamentos sobre avaliação patrimonial, interesse público e critérios adotados no negócio.
Logo depois da troca, a Prefeitura instalou na entrada do espaço uma placa denominando oficialmente o local como “Clube do Povo”, reforçando a intenção de utilização pública da área. No entanto, enquanto o gramado segue em atividade, outras dependências do antigo clube apresentam aspecto de falta de manutenção básica.
Agora, o estado atual da estrutura reacende questionamentos sobre o planejamento para utilização efetiva do espaço e sobre os investimentos necessários para recuperação completa do clube. Isso porque, embora o campo esportivo esteja sendo utilizado, boa parte das instalações internas aparenta não reunir condições adequadas de uso.
As imagens mostram paredes danificadas, pontos de infiltração, acúmulo de água de chuva em banheiros e áreas internas, além de indícios de deterioração avançada em estruturas hidráulicas e elétricas. Em alguns ambientes, o aspecto é de abandono prolongado.
A situação também levanta preocupação do ponto de vista sanitário e de segurança. Água parada, vazamentos e instalações deterioradas podem favorecer riscos estruturais e problemas relacionados à saúde pública caso não haja recuperação adequada do espaço.
Diante da dimensão da área e da repercussão da permuta que levou o imóvel ao patrimônio público municipal, moradores e setores da cidade passaram a questionar qual será, de fato, o futuro do antigo Clube Rigesa — e quanto ainda poderá ser necessário investir para transformar o local em um equipamento público plenamente funcional.
O que diz a Prefeitura
A reportagem da Tribuna enviou questionamento para a secretaria de Comunicação da Prefeitura de Valinhos,. Até o fechamento desta edição, não houve uma resposta. Se isso acontecer, o conteúdo será atualizado.
Em texto publicado em seu site oficial em março de 2025, a Prefeitura de Valinhos celebrava o que chamou de “conquista histórica”: o imóvel do antigo clube da ADC Rigesa, um dos espaços mais simbólicos da cidade, agora é oficialmente da população.
Segundo a Prefeitura, “a novidade foi viabilizada por uma permuta de áreas. Ou seja: sem nenhum custo para o município. A Lei com autorização para a troca dos terrenos será sancionada pelo prefeito nesta quarta-feira (7/março/2025), após ter sido aprovada pela Câmara Municipal na sessão da última terça-feira (6/março/2025).”
Com essa medida, informou o Municṕipio, “Valinhos recupera um local que faz parte da memória coletiva de milhares de famílias e que, a partir de agora, passa a integrar oficialmente os bens públicos do Município.”
“A Rigesa agora é nossa. É da população. É uma conquista enorme para Valinhos, tanto do ponto de vista histórico, quanto estratégico. Recuperamos um espaço emblemático que será devolvido à cidade com nova vida e novas possibilidades”, afirmou, na época, o prefeito, Franklin Duarte de Lima (PL).
Com estrutura ampla e completa, o clube conta com campo de futebol, quadra poliesportiva, piscina, além de áreas de recreação e convivência. De acordo com a Secretaria de Esportes e Lazer, o espaço será utilizado para a realização de escolinhas, campeonatos, treinamento, lazer, e também abrigará parte da estrutura administrativa da pasta.
Permuta
Segundo a Prefeitura, com a nova legislação, o Município permuta oito áreas institucionais localizadas nos bairros Santo Antônio (Campo do Inamps), Vale das Uvas, Bosque da Mata, Jardim Morumbi, Quinta do Pradinho, Vivenda das Cerejeiras, Fazenda Pinheiros e Portal do Anhanguera. Em troca, a Prefeitura recebeu o imóvel do Clube da antiga ADC Rigesa, com área total de 13.969,06 m² e 3.212,39 m² de área construída.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, as áreas institucionais oferecidas na permuta foram cuidadosamente selecionadas com base em critérios de conveniência, adequação e localização, priorizando o interesse público. Avaliadas em R$ 37.479.248,36, essas áreas apresentam valores compatíveis com a área do antigo clube, estimada em R$ 38.212.773,27. A diferença de valor será renunciada em benefício da Fazenda Pública.


