A Região Metropolitana de Campinas (RMC) vai receber uma unidade metropolitana para destinação final do lixo. A notícia foi informada nesta quinta-feira, 17, depois de Campinas ter aderido ao programa “Integra Resíduos”, do governo do Estado de São Paulo. A decisão foi anunciada pelo prefeito de Campinas e presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC, Dário Saadi, durante reunião extraordinária, com prefeitos da região e a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natália Resende, em Campinas.
“Eu já falo aqui que Campinas está dentro. A destinação do lixo é um desafio para todas as cidades. A gente tem que ter a solução ambientalmente responsável, uma solução que respeite as normas e Campinas com suas 1.300 toneladas de resíduos por dia vai participar”, disse Dário.
Na prática, a região passará a contar com uma unidade metropolitana para a destinação do lixo. O programa apresentado pela secretária ao Conselho prevê a concessão de serviços para garantir a destinação adequada dos resíduos de forma regionalizada. O objetivo é garantir o melhor aproveitamento dos materiais por meio de reciclagem e outras tecnologias, como a geração de energia.
“A gente vai olhar para a geração, as distâncias, a disponibilidade diária e ver o que realmente faz sentido. O plano regional é importante, porque olha a especificidade de cada município”, explicou a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.
O programa também prevê a transformação dos catadores em agentes ambientais, como forma de valorizar a atividade desenvolvida por esses profissionais.
Os outros municípios da RMC que também aderiram ao programa são: Santa Bárbara, Monte Mor, Pedreira, Valinhos e Nova Odessa. O prefeito de Campinas e presidente do CD-RMC, Dário Saadi, definiu o dia 25 de abril como prazo para que outros municípios da região apresentem interesse em fazer parte do programa.
O Programa Integra Resíduos foi apresentado no último mês pelo governo estadual, e propõe uma mudança radical na abordagem atual, além de prometer ganhos de escala, eficiência operacional e sustentabilidade financeira. A ideia é modernizar a gestão de resíduos sólidos por meio de arranjos regionais, com soluções economicamente viáveis para municípios, envolvendo desde o planejamento até a atração de investidores e a inclusão de catadores como parte essencial do processo.
A urgência por soluções é clara: o estado de São Paulo, com seus 44,4 milhões de habitantes, gera cerca de 40 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos diariamente, com custos anuais que chegam a R$ 6 bilhões. Na Região Metropolitana de Campinas, a situação não é diferente: os 20 municípios da região somam 3 milhões de habitantes e produzem 3 mil toneladas de lixo diariamente. Dos municípios da região, sete integram o Consórcio Consimares (Capivari, Elias Fausto, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré), que juntos geram 770 toneladas por dia.
Durante a reunião, a secretária Natália Resende detalhou as próximas etapas do programa, que incluem a realização de estudos de viabilidade técnica e econômica, modelagem de concessões para gestão compartilhada, realização de audiências públicas no segundo semestre de 2025 e, finalmente, processos licitatórios para implantação das soluções.
Ao todo, 344 municípios paulistas já aderiram ao programa – sendo 216 em 12 consórcios e 128 de forma independente. A secretária ressaltou ainda que o modelo que está sendo desenvolvido considera as particularidades de cada município, mas com a visão integrada que o programa preconiza.
“Precisamos enfrentar os desafios da gestão de resíduos com ousadia e visão estratégica. Cada município tem suas particularidades, mas é na união de esforços que encontraremos soluções inovadoras e sustentáveis. Estamos construindo um novo modelo; mais eficiente, com menor custo e responsabilidade ambiental. Com transparência e parceria, o Integra Resíduos é um projeto que não só ajuda na solução de um problema histórico, mas também gera oportunidades para toda a região”, explicou.

