Um levantamento realizado pela plataforma OLX a pedido do g1 revela que a Região Metropolitana de Campinas (SP) somou R$ 260 milhões em golpes e tentativas de golpes em anúncios automotivos em 2023. Veja, abaixo, os modelos e as estratégias mais utilizados pelos golpistas.
O montante é 32% menor que o registrado em 2022, quando o prejuízo alcançou R$ 383 milhões, segundo a plataforma. Apesar disso, os carros passaram a representar uma parcela maior dos automóveis mirados por criminosos virtuais no ano passado.
Em todo o estado de São Paulo, a estimativa é que o prejuízo com golpes on-line na compra e venda de automóveis tenha sido de R$ 531 milhões em 2023, com 18.634 incidentes e 52 ocorrências por dia, em média. É o estado com maior número de fraudes no país.
Modelos e estratégias
Ainda de acordo com o levantamento, os carros representam 76% do total de fraudes em anúncios automotivos em 2023, e 68% em 2022. Ao todo, foram registrados 6.327 golpes em 2023, contra 10.023 no ano anterior.

Ranking de modelos mais utilizados em fraudes em 2023:
- Celta
- Gol
- Corsa
- Ônix
- Palio
- Civic
- Corolla
- Uno
- HB20
- Ka
- Fit
- Saveiro
- Fox
Em relação ao tipo de golpe, a coleta de dados foi o mais aplicado nos anúncios automotivos em 2023, mas perdeu representatividade em relação ao anterior. Já o roubo de contas, ou seja, anúncios mentirosos postados em contas de pessoas idôneas, aumentaram no mesmo intervalo.
🔎 De acordo com a plataforma, a coleta de dados acontece quando os golpistas, usando técnicas de engenharia social, aproveitam oportunidades e criam cenários para pegar os dados pessoais das vítimas e replicar essas informações em golpes futuros.
Estelionato virtual
Segundo a advogada e professora de direito processual penal da PUC-Campinas, Christiany Pegorari, os crimes patrimoniais presenciais têm migrado para a internet por dois fatores principais: o risco menor de ser identificado e a possibilidade de replicar o golpe em um número maior de vítimas.
“Desde a pandemia, em que as pessoas passaram a utilizar cada vez mais transações bancárias on-line, o uso do Pix e a utilização, de maneira geral, de forma mais intensa do smartphone e da internet, estamos experimentando um avanço, um aumento cada vez mais dos golpes digitais”, explicou.
Ainda de acordo com a jurista, crimes como os registrados pela plataforma podem ser enquadrados no artigo 171, parágrafo 2º-A do Código Penal, que trata do estelionato eletrônico, com pena prevista de quatro a oito anos de reclusão. Se a vítima for idosa ou considerada vulnerável, a pena é maior.
Para Pegorari, é importante que o consumidor desconfie sempre das informações disponíveis na internet, em especial ofertas muito vantajosas, e confirme os dados em fontes oficiais. Se cair em um golpe, a advogada reforça a importância de registrar a ocorrência na delegacia.
“É importante fazer essa comunicação porque é com base nisso que nós podemos ter um panorama dos dados relacionados a esse tipo de comportamento e pensar estratégias, políticas públicas voltadas para a prevenção ou combate a esse tipo de crime”, reiterou.
Fiz um PIX errado e agora?
Como se proteger?
Segundo a plataforma, as orientações para evitar cair em golpes virtuais são:
- Nunca compartilhe número de celular, endereço de e-mail, CPF e dados bancários com outras pessoas.
- Desconfie de links enviados para preencher vagas de emprego, que não sejam em páginas oficiais de empresas ou recrutadoras.
- Mantenha sempre as conversas pelos chats das plataformas, onde há ferramentas para promover a privacidade dos seus dados.
